Estudo histórico com veteranos dos EUA aponta que um químico comum na água pode aumentar o risco da doença em 70%, desafiando décadas de foco quase exclusivo na genética e abrindo caminho para a prevenção.
Por décadas, a pesquisa científica tratou o mal de Parkinson como um problema principalmente genético. No entanto, as taxas da doença continuam a subir rapidamente, dobrando nos últimos 30 anos nos EUA. Agora, um estudo de referência com veteranos do Corpo de Fuzileiros Navais está virando esse paradigma de cabeça para baixo.
A pesquisa comparou a saúde de militares que serviram na Base Camp Lejeune, na Carolina do Norte – onde a água potável foi contaminada pelo solvente industrial tricloroetileno (TCE) por 35 anos – com a de outros que serviram na Base Camp Pendleton, na Califórnia, que tinha água não contaminada. Os resultados, liderados pelo epidemiologista Sam Goldman, são impactantes: os fuzileiros navais expostos ao TCE em Lejeune tiveram 70% mais risco de desenvolver Parkinson.
O TCE já é conhecido por sua ligação com certos tipos de câncer, mas sua conexão com doenças neurológicas é menos compreendida. O estudo fornece uma das evidências mais fortes até hoje de que essa exposição ambiental pode ser um gatilho significativo para o Parkinson, uma doença que afeta os neurônios produtores de dopamina no cérebro, causando tremores, rigidez e perda progressiva do controle motor.
Essa descoberta desafia a narrativa dominante nas últimas décadas, impulsionada em parte pelo Projeto Genoma Humano, de que a resposta para doenças complexas estaria quase inteiramente em nossos genes. Estima-se que apenas 10 a 15% dos casos de Parkinson possam ser totalmente explicados por fatores genéticos.
A história pessoal de Amy Lindberg, uma ex-oficial da Marinha diagnosticada com Parkinson, ilustra a descoberta. Ela serviu em Camp Lejeune no início de sua carreira, na mesma época em que bebia, cozinhava e banhava-se com a água contaminada, sem qualquer suspeita. "Lejeune era pitoresco... você nunca suspeitaria da água", ela relata.
E Você, o Que Acha?
Diante de evidências como essa, você acredita que a sociedade e as políticas públicas deveriam priorizar mais o controle de contaminantes ambientais, mesmo que os efeitos levem décadas para aparecer, em vez de focar quase exclusivamente em tratamentos médicos futuros?
Essa informação sobre um risco "invisível" na água muda sua percepção sobre a segurança do ambiente onde você vive? Que tipo de ação coletiva seria eficaz para exigir ambientes mais seguros?
Fontes
Wired
Tags
Parkinson, doença de Parkinson, saúde, neurologia, meio ambiente, TCE, tricloroetileno, contaminação da água, saúde pública, pesquisa científica, Camp Lejeune, neurotoxicidade
