Investigação em Singapura acompanhou crianças durante mais de uma década e concluiu que o tempo de ecrã antes dos dois anos tem efeitos duradouros no cérebro.
O uso de tablets e telemóveis para distrair bebés pode estar a criar uma crise de saúde mental a longo prazo. De acordo com um estudo abrangente publicado pela Bloomberg e realizado por investigadores em Singapura, existe uma correlação significativa entre o tempo excessivo de ecrã durante a infância e o desenvolvimento de perturbações de ansiedade e dificuldades de atenção na adolescência.
O estudo, que acompanhou um grupo de crianças desde o nascimento até aos 15 anos, utilizou exames cerebrais e avaliações comportamentais periódicas. Os resultados indicam que crianças expostas a mais de duas horas de ecrãs por dia antes dos 18 meses de idade apresentam alterações na atividade das ondas cerebrais, especificamente naquelas ligadas à regulação emocional e ao controlo executivo. Estas alterações tornam os jovens mais vulneráveis a episódios de ansiedade social e crises de pânico anos mais tarde.
Os cientistas explicam que, durante os primeiros anos de vida, o cérebro humano necessita de estímulos sensoriais tridimensionais e interação humana para desenvolver as suas funções cognitivas. A "passividade" da luz azul e do conteúdo digital de ritmo acelerado pode sobrecarregar o sistema nervoso em formação, prejudicando a capacidade do futuro adolescente de lidar com o stress e de manter o foco em tarefas complexas.
Esta descoberta reforça as diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS), que recomenda zero tempo de ecrã para crianças com menos de dois anos. Os especialistas sugerem que, em vez de dispositivos digitais, os pais devem privilegiar brincadeiras interativas e a leitura, que são fundamentais para construir a resiliência emocional necessária para enfrentar os desafios da vida adulta.
E Você, o Que Acha?: Acha que é possível criar uma criança hoje em dia sem o uso de ecrãs? Como é que controla o tempo digital dos mais novos na sua família?
Fontes: Bloomberg / National University of Singapore / OMS
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